ENERGIA SOLAR PODE BARATEAR CONTA DE LUZ EM CONDOMÍNIOS

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Estacionamento de condomínio com painéis de energia solar

 

Por José Carlos Catini, engenheiro eletricista com mais de 20 anos de atuação, especializado em Engenharia de Suprimentos e Administração da Produção.

A expressão geração distribuída, designa a geração elétrica realizada próxima dos consumidores independente da potência, tecnologia e fonte de energia.

A resolução normativa REN 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), alterada pela REN 687/2015, tratam em seu conjunto da micro e da minigeração distribuídas de energia elétrica e permite ao consumidor brasileiro gerar sua própria energia a partir de fontes renováveis –  hidrelétricas, biomassa, eólica e solar – e fornecer o excedente para a rede de distribuição da concessionária de energia local, através do sistema de compensação de energia elétrica.

Segundo dados da ANEEL de outubro/2016, as fontes renováveis totalizavam 80,55% da matriz energética brasileira (hidrelétricas 64,57%, biomassa 9,45%, eólica 6,51% e solar 0,02%), enquanto que as fontes não renováveis, somavam 19,45% (nuclear 1,34% e de origem fóssil 18,11% – como as termelétricas).

Apesar da sua baixa participação no percentual na matriz energética atual, a energia solar apresenta uma alta taxa de crescimento, que superou os 300% em 2017, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), impulsionada principalmente pela redução do preço da tecnologia de até 80% nos últimos anos. A revista Fotovolt, em outubro de 2016, trouxe dados de que foram realizadas em torno de 5 mil instalações fotovoltaicas (FV) no Brasil. Em abril/2017 o número saltou para 10 mil e em agosto já eram cerca de 15 mil telhados com o sistema.

A ANEEL estima que até 2024 serão instalados mais de 1,2 milhões de sistemas FV no país. Uma inovação importante da REN 687/2015 diz respeito à possibilidade de instalação de geração distribuída em condomínios, verticais ou horizontais, residenciais, comerciais ou industriais.

Nessa configuração, os próprios consumidores definem as porcentagens do rateio da energia entre os condôminos e as áreas comuns. Pelo sistema de compensação, quando a quantidade de energia gerada em determinado mês for superior à energia consumida naquele período, o consumidor fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes.

Com as novas regras, o prazo de validade dos créditos passou de 3 para 5 anos. Considerando o exemplo da geração por energia fotovoltaica, durante o dia, a “sobra” da energia gerada pela central é passada para a rede; à noite, a rede devolve a energia para a unidade consumidora (UC) e supre necessidades adicionais.

Portanto, a rede funciona como uma bateria, armazenando o excedente até o momento em que a UC necessite de energia proveniente da distribuidora.

É importante ressaltar que mesmo que a energia injetada na rede seja superior ao consumo ou se o consumidor não usar a energia elétrica por um determinado período, quando viaja de férias, por exemplo, será devido o pagamento referente ao custo de disponibilidade ou taxa mínima.  Isso ocorre porque a concessionária precisa manter seu sistema elétrico e sua estrutura de atendimento em perfeito funcionamento para que o consumidor possa utilizar a energia no momento em que desejar. Portanto, mesmo que não exista qualquer consumo, a disponibilidade da energia precisa ser ressarcida.

Benefícios para o condomínio que gera sua própria energia fotovoltaica:

1.      A geração de energia reduz a conta de energia e contribui com o meio ambiente;

2.      Valoriza o imóvel na venda;

3.      Ajuda na redução da taxa de condomínio;

4.      É necessário instalar o medidor bidirecional (capaz de medir o fluxo de energia que entra e sai) apenas na unidade consumidora onde será instalada a central FV – normalmente, a UC Condomínio. Para as UC`s que apenas receberão a energia excedente, deve-se manter a medição existente.

5.      Não é necessário que todos os condôminos participem do rateio da energia gerada.  Significa que por exemplo em um condomínio com 20 consumidores, caso somente 12 investiram no sistema FV, somente estes é que poderão ter o valor de suas faturas de energia reduzidas.

6.      Os equipamentos do sistema FV tem um tempo de vida estimado em 25 a 30 anos e o retorno do investimento pode ocorrer em menos de 5 anos. Significa pelo menos 20 anos de redução na conta de energia.

7.      Para o correto dimensionamento, qualidade e garantia do sistema FV, é importante contratar um engenheiro eletricista para a elaboração e aprovação do projeto na concessionária, e posteriormente, uma empresa especializada para a instalação. É necessário a emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de projeto e execução.

8.      Os painéis fotovoltaicos podem ser instalados na cobertura do prédio para caso de condomínios verticais ou sobre os telhados de várias casas, lojas ou barracão industrial, no caso de condomínios horizontais.

9.      Os painéis FV podem também ser aplicados em áreas de estacionamento, com os painéis instalados sobre a cobertura original das vagas ou servindo como o próprio telhado para os carros, gerando energia e protegendo contra intempérie; ou ainda, em áreas não utilizadas do condomínio.

10.  Importante que o telhado onde os painéis serão instalados, tenha inclinação preferencialmente para o norte, sem o sombreamento causado por outras construções no local.

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